Congresso Nacional Das Escolas Franciscanas

Qual o sentido da Educação Franciscana na Sustentabilidade da Vida?

Refletir as mudanças estruturais da vida humana para além de uma perspectiva utilitarista e fragmentaria é uma das necessidades emergentes da educação para se constituir um pensamento sistêmico e ao mesmo tempo resgatar o caráter relacional em todas as suas expressões.

O ser humano não é em sua essência rival de si mesmo e menos ainda da criação. É antes de tudo um irmão universal destinado à busca do outro para auto compreender-se e definir-se. Para S. Boaventura e Duns Escoto a relação é um constitutivo essencial da pessoa que a destina e compele para o encontro e a reciprocidade. Neste sentido se explica a importância do tema Sustentabilidade da Vida como elemento chave do carisma e da pedagogia franciscana.

Francisco de Assis inaugurou em sua época uma forma integradora de relação para com o outro e para com a criação. Superando a dicotomia integrava em sua percepção de mundo elementos distintos e complementares, em outras palavras o sol e a lua, a terra e o céu, o fogo e a água não eram sentidos a partir de uma oposição relacional, mas antes experimentados como dimensões da mesma criação. Esta integração era permeada da experiência de fé, pois a criação nada mais era que expressão de amor e da presença viva do criador. Não se tratava de uma leitura Panteísta de mundo, mas sim de um Panenteísmo capaz de integrar Criador e criatura.

Essa herança franciscana expressa em princípios e valores destaca na atualidade a beleza de promover uma outra possibilidade relacional entre o ser humano e o mundo. É uma forma de desenvolver a Inteligência Ecológica de modo a perceber a interconexão e a visão aprofundada e sistêmica da vida. Assim, deixa-se a perspectiva utilitarista de olhar a criação apenas como um recurso a ser preservado e se assume uma visão onde impera a irmanação, a fraternidade e a integração. “A natureza não está à frente de nós: vive conosco! Não é um instrumento ou objeto manejável, segundo o nosso capricho, mas uma dimensão essencial do nosso espaço vital. O homem torna-se vil e grosseiro e perde a sua nobreza de homem quando usa e abusa dos seres da natureza. ” É tarefa da Educação franciscana oportunizar novos espaços para reflexão e internalização desta concepção sistêmica. Como afirma McCollum, citado por Daniel Goleman, “temos de parar de falar que é preciso curar a Terra, a Terra não precisa de cura. Nós sim”.

Marco Aurélio Cardoso Feliciano

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